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Sabrina Alves | Como as crianças internalizam algumas crenças

Foto: Enrique Meseguer | Pixabay 

Crença é absolutamente tudo aquilo em que acreditamos, frutos de todas as experiências vivenciadas, sejam positivas ou negativas. Elas são aquilo que aprendemos no decorrer da vida, através de mensagens claras ou simbólicas (aqueles acontecimentos que damos um significado mental) e que, de alguma maneira, fez sentido para nós naquele momento tornando uma verdade interna, uma “verdade absoluta”. Vivenciamos as crenças de maneira automática, de forma que sequer percebemos que estamos vivendo debaixo delas.

Assim, crescemos aprendendo e desenvolvendo comportamentos que condizem com esses tais aprendizados, sem ao menos perceber ou questionar. Dentro desse sistema de crenças que nós somos inseridos, temos as crenças fortalecedoras, que vão de encontro à nossa força interna, nos torna pessoas preparadas para atingirmos os nossos objetivos. Porém, quando algumas crenças não condizem mais com a vida que você escolhe, elas se tornam vilãs de seus feitos, que não terão os resultados desejados.

Como as crenças são inconscientes (não ficam na nossa razão), pode ser um desafio identificá-las, sendo assim, passamos muito tempo de nossas vidas repetindo padrões que não estamos satisfeitos e não atingindo os resultados que queremos, sem percebermos. Isso acontece porque, estando essa crença enraizada e sendo uma “verdade absoluta” conforme adquirida um dia, ela “dá um baile” até que a identifiquemos e nos livremos delas.

Como nosso sistema de crenças começa a ser construído na infância, algumas coisas são importantes para que um cuidador perceba em seu contato com uma criança, favorecendo que ela se constitua emocionalmente mais forte e confiante para a vida adulta.

Não podemos perder de vista que muitas crenças são absorvidas pelas crianças diante do que lhe acontece de forma particular ou percepção do ambiente, ou seja, cada pessoa tem sua parcela de construção de seus sistemas de crenças.

Listamos, a seguir, algumas dicas a respeito de como se atentar dentro de uma relação de um adulto com uma criança para favorecer sua autoestima e, assim, torná-la um adulto (possivelmente) mais seguro:

● Busque nunca comparar uma criança com outra pessoa - isso pode afetar sua autoimagem e autoestima e criar crenças de identidade, onde ela pode não se achar capaz de batalhar por nada, pois sempre vai haver alguém melhor;

● Mostre sempre harmonia entre você e o dinheiro - uma relação distorcida com o dinheiro pode levar uma pessoa a entender que ganhar dinheiro é algo ruim ou até mesmo condenável;

● Cuidado com o tipo de fala que utiliza quando vai dar uma bronca na criança. Por exemplo: “Você não sabe fazer nada”, “Você nunca consegue!” são muito nocivas para a construção de mundo de uma criança, podendo deixá-la com crenças de menos valia;

● Excesso de regras na infância pode levar uma pessoa (em sua vida adulta) a temer toda figura de autoridade que encontrar, tendo crenças de que as pessoas são sempre uma ameaça;

● Ausência de regras na infância pode levar uma pessoa (quando adulta) a não identificar autoridades (figuras hierárquicas) mesmo nas mais corriqueiras relações como professores, instrutores, chefes, etc, e assim se sabotar nas relações;

● Procure não mascarar seus erros diante de uma criança. É necessário que ela compreenda que falhas e acertos fazem parte da vida, que um erro cometido não define uma pessoa e que sempre podemos lidar com nossas falhas;

● Busque comemorar suas pequenas conquistas e mostre o valor dos pequenos esforços - isso fará com que a criança perceba valor em todas as coisas que pode realizar. Lembre-se que adultos são espelhos das crianças e ela levará muito a sério tudo aquilo que vivenciar;

● Comemore e mostre valor a cada pequena conquista da criança, assim ela perceberá que a vida é feita de pequenos esforços e eles fazem mais parte da vida do que grandes acontecimentos, por isso devem ser levados em conta;

● Se você quiser expressar valores espirituais a uma criança, preste atenção para que não lhe transmita uma ideia de Deus “punitivo” que espera por um erro para agir de forma violenta. A espiritualidade deve ser transmitida de forma leve e deve confortar o coração e não ser algo para se ter medo;

 ● Lembre-se que a criança está absorvendo todas as situações vivenciadas, e as atitudes, muitas vezes, pesam muito mais que as palavras proferidas. Então busque observar como está seu próprio sistema de crenças, valores e virtudes.

Artigo escrito pela psicóloga e mentora Sabrina Alves
 

Sabrina Alves
@sabrinaalvespsicologa

Formada em psicologia, Sabrina Alves atua com atendimento clínico desde 2009. Em sua abordagem, busca resolver conflitos pontuais, resgatando parte das histórias de vida dos seus pacientes para assim ressignificar acontecimentos difíceis que geraram bloqueios, proporcionando apoio na busca da autonomia, autoconhecimento e formação ou resgate de identidade.
 
Em seu trabalho com o público infantil, atuou com crianças destituídas do poder familiar, em situação de abrigamento, pesquisando e articulando com o Sistema Judiciário e toda a rede Psicossocial formas de garantir a melhor estrutura de vida para esses, que já haviam passado por traumas e sofrimentos intensos. 
 
Durante sua trajetória também realizou diversos trabalhos voluntários atendendo famílias, mulheres, crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade, vítimas de violência doméstica, psicológica, emocional, física, sexual e com baixa situação econômica, em conflitos emocionais diversos.
Como profissional de grande referência para o público LGBTQ+, apoia a autoaceitação, empoderamento e a autonomia em relação à própria identidade, promovendo transformações positivas e proporcionando muito alívio para essas pessoas.
 
Atualmente, seu repertório de atendimento se baseia em desconstruir padrões de comportamentos desagradáveis que se repetem na vida de uma pessoa, que a impede de se realizar em diversas áreas de sua vida; através de identificação de crenças bloqueadoras, desativação destas e, enfim, substituição delas por crenças fortalecedoras.
 
Por fim, vale ressaltar que a especialista é também coautora do livro “São tantas emoções. Vamos compreendê-las?” de Caroline Settani Salvalagio.

Siga a Sabrina Alves no Instagram: @sabrinaalvespsicologa
 




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